No segundo turno das eleições, trabalhei como secretária. Um dos eleitores da minha seção, deixou para nós um exemplar do jornal "O Estado de S. Paulo" para não nos entediássemos completamente ao longo do dia. Embora a frequência dos eleitores tenha sido regular, houve sim momentos em que o jornal foi bem vindo, ao que presto aqui um agradecimento à ideia de gênio e generosidade do eleitor mencionado.
Pois. Estava eu sapeando o jornal, quando encontro um texto falando sobre Monteiro Lobato. Ora pro nobis, não é que agora querem demonizar o homem mais uma vez? Dai-me paciência, Senhor, porque se me der força, é pra arrebentar!
Então tá. Duas ações: ou se retiravam os livros infantis de Monteiro Lobato da lista de obras enviadas às escolas deste Brasilzão, ou retificava-se o texto ao incluir notas de rodapé contextualizando a existência de tia Nastácia.
Claro que das duas alternativas a segunda é a mais viável. Até o próprio lobato concordaria com ela. Afinal, ele usou do mesmo expediente ao "censurar" as obras de Anita Malfatti, só que ao contrário: viu o hoje da pintora com os seus olhos de ontem, isto é, o seu olhar tradicional não conseguiu enxergar a novidade que ela representava. Mas logo, logo se atualizou e é possível vê-lo numa pose de Emília alinhado ao grupo Modernista.
Claro que ele quereria a atualização de sua obra! Agora exclui-lo é muita estupidez!
Eu me lembro que na última edição feita pela Globo sobre o Sítio do Picapau Amarelo, cujo primeiro programa eu assisti, Dona Benta já estava plugada num PC, mandando e recebendo emeios. Nada mais lobatiano!
Ó, é o seguinte: esse povo que não tem o que fazer, além de dar palpite infeliz, que vá lavar um tanque! Ou então comece a redigir as notas de rodapé para que as obras de Monteiro Lobato, sejam elas infantis ou não, nunca saiam das estantes.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Uma mulher célebre
Não dei muita importância a estas eleições. Não acredito no PSDB, porque já fui professora do Ensino Oficial do Estado de São Paulo e sei bem o que é a administração deste partido para a Educação pública, além dos outros setores, claro, mas sobre a Educação conheço bem. Não é somente a questão dos salários; há aspectos abrangentes enraizados bastante longe no tempo. Conheço as manobras desse povo de há muito, por isso pagar só de eficiente não dá.
Já o PT, bem, não dá para pagar de santo... No entanto, não dá para negar que em meio a tantas igualdades entre os dois, pode-se notar uma diferença: enquanto o PSDB serve à ideia da globalização, o PT insiste na ideia de nacionalismo.
Confesso que a segunda proposta mexe com meus anseios juvenis, apesar dos meus 48 anos... Mas como diz uma pessoa querida"eu não sou velho, sou jovem há mais tempo..." Vai daí que as erupções da juventude, que não são as espinhas, voltaram a se manifestar. Vai daí, também, que ambas são os rostos do capitalismo, mas isso dá muito pano para muitas mangas... O importante é lembrar que a dis-puta entre PT e PSDB me fez lembrar o conto de Machado de Assis "Um homem célebre" ( vale a pena ler) e concluir que tal é um como o outro.
Mas isso também pode ser um juízo precipitado: o fato de termos eleito uma mulher ao cargo mais importante do Brasil traz pelo menos uma característica marcante: fizemos algo que os EUA não conseguiram fazer! Ih, novamente as erupções juvenis vêm à consciência. Ah, mas vamos combinar: isso é legal!
Espero que o governo de uma mulher petista não se perca nos redemoinhos da mediocridade (é só uma frase de efeito), pois os bichos escrotos de plantão estão estreitando os olhinhos e esticando o cantinho dos lábios...
Me lembro de ter presenciado uma cena muito marcante à época, mas que faz muito sentido agora. Durante o governo Luiza Erundina, em São Paulo, estava eu no terminal de ônibus do metrô Belém aguardando que o ônibus que eu precisava parasse no ponto para que embarcássemos. Vale lembrar que havia vários ônibus estacionados, mas nenhum pronto para o trabalho. Na mesma situação de espera estava um homem alto, bem alto, que ao ver os ônibus parados e o ponto vazio, abriu os braços e tonitroou: "Não tem galo neste galinheiro!"
Curiosamente, ontem na pauta do Jornal da Record (2 de novembro de 2010), foram apresentadas duas notícias que gostaria de destacar. Uma sobre a presidenta presidente Dilma Roussef e outra sobre um galo que andou sob litígio no Rio de Janeiro. Notícias bem diferentes em essência, importância e tempo. No entanto, quando do encerramento do jornal, enquanto os créditos desfilavam pela tela, ambas foram reunidas: primeiro apareceu a imagem do galo e em seguida a imagem da Dilma. Uma imagem vale mais do que mil palavras? Duas imagens, então, fazem um texto, ainda mais à luz das palavras de um anônimo que ressurge da escuridão da memória.
Já o PT, bem, não dá para pagar de santo... No entanto, não dá para negar que em meio a tantas igualdades entre os dois, pode-se notar uma diferença: enquanto o PSDB serve à ideia da globalização, o PT insiste na ideia de nacionalismo.
Confesso que a segunda proposta mexe com meus anseios juvenis, apesar dos meus 48 anos... Mas como diz uma pessoa querida"eu não sou velho, sou jovem há mais tempo..." Vai daí que as erupções da juventude, que não são as espinhas, voltaram a se manifestar. Vai daí, também, que ambas são os rostos do capitalismo, mas isso dá muito pano para muitas mangas... O importante é lembrar que a dis-puta entre PT e PSDB me fez lembrar o conto de Machado de Assis "Um homem célebre" ( vale a pena ler) e concluir que tal é um como o outro.
Mas isso também pode ser um juízo precipitado: o fato de termos eleito uma mulher ao cargo mais importante do Brasil traz pelo menos uma característica marcante: fizemos algo que os EUA não conseguiram fazer! Ih, novamente as erupções juvenis vêm à consciência. Ah, mas vamos combinar: isso é legal!
Espero que o governo de uma mulher petista não se perca nos redemoinhos da mediocridade (é só uma frase de efeito), pois os bichos escrotos de plantão estão estreitando os olhinhos e esticando o cantinho dos lábios...
Me lembro de ter presenciado uma cena muito marcante à época, mas que faz muito sentido agora. Durante o governo Luiza Erundina, em São Paulo, estava eu no terminal de ônibus do metrô Belém aguardando que o ônibus que eu precisava parasse no ponto para que embarcássemos. Vale lembrar que havia vários ônibus estacionados, mas nenhum pronto para o trabalho. Na mesma situação de espera estava um homem alto, bem alto, que ao ver os ônibus parados e o ponto vazio, abriu os braços e tonitroou: "Não tem galo neste galinheiro!"
Curiosamente, ontem na pauta do Jornal da Record (2 de novembro de 2010), foram apresentadas duas notícias que gostaria de destacar. Uma sobre a presidenta presidente Dilma Roussef e outra sobre um galo que andou sob litígio no Rio de Janeiro. Notícias bem diferentes em essência, importância e tempo. No entanto, quando do encerramento do jornal, enquanto os créditos desfilavam pela tela, ambas foram reunidas: primeiro apareceu a imagem do galo e em seguida a imagem da Dilma. Uma imagem vale mais do que mil palavras? Duas imagens, então, fazem um texto, ainda mais à luz das palavras de um anônimo que ressurge da escuridão da memória.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
O JOÃO SUBIU NO PÉ DE FEIJÃO

Então o João Gordo é o mais novo idólatra do Deus-Mercado? Então está no templo certo! Vamos ver se todo o dinheiro do mundo (ou será dinheiro Universal?) vai pagar o preço da liberdade intelectual... O cara tem programa próprio e vai servir de escada para o Mion, quem te viu, te-vê...
Ainda por cima vai ser obrigado a participar daquele programa cafona do horário matutino como a mais nova aberração a ser exibida no circo dos horrores. Para o alto e avante, ou melhor, vai fundo!
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domingo, 17 de janeiro de 2010
Manifestações do Espírito

Depois de assistir ao filme Corina, fiquei com uma forte impressão de que filmes dirigidos por mulheres são muito bons! Não creio que seja uma regra - todos os filmes dirigidos por mulheres são bons - mas como em Corina fica nítido esse trabalho de artesania fina, de condução sutil e progressiva da maneira feminina de contar uma história - cheia de detalhes e modos de surpreender - fiquei com esse sentimento.
Hoje assisti a mais um exemplo desse meu sentimento por filmes dirigidos por mulheres... Fui ver JULIA e JULIE (ou vice-versa) e saí de lá cismando. O filme conta duas histórias em paralelo e que estão ligadas por um livro de culinária. Tratam desse assunto tão amoroso que é cozinhar e, na preparação dos pratos, também preparam-se duas existências, que simbolizam a junção da tradição e da contemporaneidade do espírito feminino. A ilustração não é a do filme, é do livro de Julie Powell.
Foi bom ter visto o filme numa semana particularmente importante que se inicia hoje. Volto a falar sobre o assunto e ilustro com o cartaz do filme.
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