quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Uma mulher célebre

Não dei muita importância a estas eleições. Não acredito no PSDB, porque já fui professora do Ensino Oficial do Estado de São Paulo e sei bem o que é a administração deste partido para a Educação pública, além dos outros setores, claro, mas sobre a Educação conheço bem. Não é somente a questão dos salários; há aspectos abrangentes enraizados bastante longe no tempo. Conheço as manobras desse povo de há muito, por isso pagar só de eficiente não dá.
Já o PT, bem, não dá para pagar de santo... No entanto, não dá para negar que em meio a tantas igualdades entre os dois, pode-se notar uma diferença: enquanto o PSDB serve à ideia da globalização, o PT insiste na ideia de nacionalismo.
Confesso que a segunda proposta mexe com meus anseios juvenis, apesar dos meus 48 anos... Mas como diz uma pessoa querida"eu não sou velho, sou jovem há mais tempo..." Vai daí que as erupções da juventude, que não são as espinhas, voltaram a se manifestar. Vai daí, também, que ambas são os rostos do capitalismo, mas isso dá muito pano para muitas mangas... O importante é lembrar que a dis-puta entre PT e PSDB me fez lembrar o conto de Machado de Assis "Um homem célebre" ( vale a pena ler) e concluir que tal é um como o outro.
Mas isso também pode ser um juízo precipitado: o fato de termos eleito uma mulher ao cargo mais importante do Brasil traz pelo menos uma característica marcante: fizemos algo que os EUA não conseguiram fazer! Ih, novamente as erupções juvenis vêm à consciência. Ah, mas vamos combinar: isso é legal!
Espero que o governo de uma mulher petista não se perca nos redemoinhos da mediocridade (é só uma frase de efeito), pois os bichos escrotos de plantão estão estreitando os olhinhos e esticando o cantinho dos lábios...
Me lembro de ter presenciado uma cena muito marcante à época, mas que faz muito sentido agora. Durante o governo Luiza Erundina, em São Paulo, estava eu no terminal de ônibus do metrô Belém aguardando que o ônibus que eu precisava parasse no ponto para que embarcássemos. Vale lembrar que havia vários ônibus estacionados, mas nenhum pronto para o trabalho. Na mesma situação de espera estava um homem alto, bem alto, que ao ver os ônibus parados e o ponto vazio, abriu os braços e tonitroou: "Não tem galo neste galinheiro!"
Curiosamente, ontem na pauta do Jornal da Record (2 de novembro de 2010), foram apresentadas duas notícias que gostaria de destacar. Uma sobre a presidenta presidente Dilma Roussef e outra sobre um galo que andou sob litígio no Rio de Janeiro. Notícias bem diferentes em essência, importância e tempo. No entanto, quando do encerramento do jornal, enquanto os créditos desfilavam pela tela, ambas foram reunidas: primeiro apareceu a imagem do galo e em seguida a imagem da Dilma. Uma imagem vale mais do que mil palavras? Duas imagens, então, fazem um texto, ainda mais à luz das palavras de um anônimo que ressurge da escuridão da memória.