quarta-feira, 8 de junho de 2011

Xênia Bier

Xênia Bier, quem diria ainda está firme e forte e comentando novelas, o que era um dos pontos fortes do seu programa vespertino e exclusivo. O programa ocupava o horário da tarde na TV Bandeirantes, num daqueles lapsos de uma programação boa que a Band têm de vez em quando.
Me lembro do programa da Xênia assistido todas as tardes pela minha mãe na segunda casa em que nós moramos. Se foi na segunda casa, então foi entre 1967 e 1969, depois é que assentamos o facho na terceira casa.
Eu odiava o programa da Xênia por que ele roubava a televisão dos meus desenhos animados para o daquela mulher faladeira. Mas foi um programa muito útil para minha mãe, pois foi uma forma de ela refletir sobre as questões do feminino e do feminismo (notem que são questões diferentes; se não fosse assim não haveria duas palavras distintas, viu, leitores jovens!). Eram os loucos anos 60 e o feminismo Betty Friedman e Simone de Beauvoir estavam à toda!
No programa havia uma primeira parte em que a Xênia tratava de uma assunto que ela escolhia e que era uma espécie de editorial. Em seguida ela respondia cartas escritas por telespectadoras. Depois vinham as entrevistas com pessoas interessantes que iniciaram suas trajetórias com ela. O doutor Angelo Gaiarsa foi um deles; De Rose, mestre iogue, também. Ah, havia participação de vários convidados, por exemplo, representantes do AA, que, tomando-se 1967 como referência, completava 20 anos de Brasil (o AA chegou ao Brasil em 1947). Não é o máximo? Com certeza!
Hoje a Xênia ainda tem uma coluna em que ela comenta novelas. Então o que você está esperando? Dê logo um google!

Fossas Marianas

Uma vez, há muitos anos atrás, quando Charles M. Schulz era vivo, li uma tirinha do Snoopy publicada no Jornal da Tarde. O jornal era comprado todos os dias, à tarde, pelo meu irmão mais velho. A história era mais ou menos assim: o Snoopy estava no teto da sua casinha com sua máquina de escrever iniciando um romance (pst, lembram-se de que um dia ele iria vencer o Prêmio Nobel? Por isso escrevia...) e o texto dizia...
1º quadrinho: (o herói dizia para a heroína: meu amor por você é maior que o Monte Everest que tem mais de oito mil metros de altura!
2º quadrinho: meu amor por você é mais profundo do que as Fossas Marianas que têm mais de 11 e tralálá metros de profundidade.
3º quadrinho: conclusão do Snoopy olhando para o leitor: "Meu herói é um tremendo chato!"
Porque eu lembrei dessa historinha? Primeiro por que ela faz parte do folclore familiar, aquela espécie de inconsciente coletivo caseiro. Segundo, porque ao invés de falar simplesmente em depressão, vou usar um eufemismo, "Fossas Marianas".
Sim, querido leitor, você já percebeu que vou falar em depressão feminina. Sabe como é , leitor jovem? Não? E as Fossas Marianas, você sabe o que são? Também não? Puxa vida!
Sim, eu sei que eu te menosprezo, caro leitor jovem, mas é porque eu prezo você demais! Como pode uma contradição em termos como esta? Bem, apenas vou dizer que é um dos mistérios da vida...
Então, o que é a depressão para um homem e o que é para uma mulher em relação a escrever? No meu entender, para os homens talvez seja um forma de superação criativa mais evidente, uma forma de expurgar os humores ruins... Para as mulheres é... a mesma coisa! Pasmem com a minha conclusão genial! E aí vem a questão: será que não é coisa de SER HUMANO? Pois é, os seres humanos têm dessas patifarias...
Na verdade é que não escrevo há um tempão, porque estava justamente acometida do mal das Fossas Marianas e isso, como o herói do Snoopy, é algo tremendamente chato, e limitante, e lacrimoso, e assustador, e assustador, e assustador, mas tão assustador, que a gente até esquece de respirar! Deve ser por isso que a depressão muitas vezes leva ao suícidio, as pessoas acometidas desse mal, esquecem de respirar. Atualmente, meu projeto é morrer dormindo, não de susto, nem de bala, nem de vício, como menciona o texto da canção. Não sei se as coisas saírão do jeitinho que estou imaginando, mas até que é um bom projeto, né, dr. Gaiarsa?

domingo, 8 de maio de 2011

Efemérides

Hoje é o Dia das Mães de 2011. Mas nem sempre as coisas são o que parecem ser... Hoje, por exemplo, para mim foi Dia de Finados...
Na minha infância, o meu irmão mais velho colecionava revistas Seleções do Riders Digest dos anos 50 e 60, principalmente (quando escrevo sobre isto penso no início da década de 70). Num dos exemplares, sabe lá Deus qual!, havia uma matéria sobre a criação do dia das mães que começou como homenagem e virou efeméride do calendário comercial. Seleções também é cultura, tá pensando o quê? Lá - como lá onde?, na revista, pô! - também havia uma seção que se intitulava "rir é o melhor remédio"... Seleções também é sabedoria, porque só rindo mesmo!
Mas enfim, amanhã o Sol nascerá e será a data de mais uma efeméride, o dia do orgasmo em algum lugar por este Brasil de meu Deus, conforme li uma vez numa reportagem da Folha! Isso foi na Folha... No google diz que o dia do orgasmo é 31 de julho... O Brasil tem proporções continentais (sei que é um chavão escrever isso, mas eu gosto desse pensamento megalomaníaco!) então é bem possível que seja tanto em uma data como na outra, né não?
Não, leitor, eu não estou gozando da sua cara!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Ponce de Leon e a Fonte da Juventude

Fui uma menina má, mereço ser deitada nos joelhos e levar umas palmadas... Coloquei em dúvida as competências e habilidades de um homem trabalhador e vitorioso no comando de uma agremiação de jogadores hiper alardeados e conhecidos como meninos...
Pois não é que o atual treinador do Santos está realizando (mais uma) excelente atuação no comando de um time? Sim, não é um time qualquer e esse é que é o verdadeiro coaching!
Mea culpa, pensei que haveria um choque de egos... Que nada, pô, a maturidade encontrou a juventude e os dois se contaminaram e agora é só correr para o abraço! Tá bem legal de ver, parabéns!
A sabedoria, e o trabalho encontraram a lendária Fonte da Juventude e o treinador reencontrou Muricy, o moço, no tempo presente; e o melhor: o gift é nosso!
Valeu, grupo, parabéns!
Eu andei inclinada a mudar de time, deixar de ser torcedora da Lusa e ser torcedora do Santos, mas foi só um rompante... Os dois times têm um histórico tão mesclado: já dividiram título criando jurisprudência, o Santos já rebaixou a Portuguesa (uma das vezes) uma zona portuária só! O que é legal nessa história de ser torcedora da Lusa é ver a cara de espanto das pessoas quando perguntam para que time torço... Vá lá!... Mas há outras histórias com outros times.
Uma vez, não faz tanto tempo assim (ou faz?), haveria um Grêmio vs Portuguesa e abordei um senhor que vestia a camisa do Grêmio. Fui para espinafrar o time dele e saí espinafrada! Quando eu disse que torcia para a Lusa, ele abriu um sorriso e disse que tinha muita simpatia pela Lusa, pereré, pereré... Ai, que chato!
Aliás, deixe-me fazer uma menção: o programa Globo Esporte foi bastante criativo na matéria que comentava a classificação da Lusa, parabéns III (o terceiro do dia).
Bem, se você reparou bem, há uma menção não comentada no título desta postagem. Pois é, quer saber quem é o cara? Vai atrás, malandro! Isso é trabalho, meu filho, vai procurar saber! Tá pensando o quê?

Tempo de Sabedoria

Vou comentar notícia velha... Já vou avisando logo, só para não ficar vendo os muxôxos e ficar brava... Mas na internet é assim, não se conta tempo! Se fosse suporte jornal, a notícia estaria embrulhando o peixe da Semana Santa... Mas como não é, está tudo em paz!
Como eu ia dizendo, vou comentar uma notícia publicada no UOL, no dia 4 de abril [de 2011]. A manchete diz o seguinte:

"Estudo diz que droga para calvos pode causar impotência prolongada"

Santa cabeça dura, Batman, isso é uma catástrofe existencial da pior espécie! E, além de tudo, é um grande paradoxo, também existencial! Atentem bem para o potencial dramático de tal notícia...
Um homem, pobre homem, submetido às leis da genética, ou do estresse, ou da gravidade, ou de todas as alternativas juntas, lá pelas tantas da vida, começa a perder o cabelo e ficar careca... Pânico, muito pânico! Que é que ele faz, caso não deseje optar pela franja grega? Começa a procurar mezinhas para, se não deter, ao menos tornar lento o processo do cabelocídio. Recorre a tudo: de benzeduras a benzóis e chega na cruel finesterida, cujo nome fatídico sugere trocadilhos horríveis e desnecessários neste contexto dantesco.
A referida droga pode reduzir o tesão (nunca sei se é a tesão ou o tesão! Parece que Antonio Callado usava no feminino e de tesão e feminino ele entendia muito... Mas vou conferir já, já e depois comento...) e causar impotência (sobe a música, balançam as chapas de metal) mesmo após a suspensão do uso! Que é que é isso! Onde já se viu uma coisa dessas?
Então o sujeito gasta uma grana para manter a juba e para com ela impressionar as moças/moços e depois, na hora H, o sistema entra em pane? Ninguém merece! E olha que as moças não estão assim tão compreensivas com os rapazes hoje em dia, viu, apenas para tocar no assunto do relacionamento heterossexual...
A bem da verdade, os rapazes andam acossados, vamos combinar, né? As mulheres não os valorizam mais! Sim, continuam a correr atrás deles, mas quanto os alcançam, sangram-lhes o pescoço! Tudo bem, é bem sabido que os homens têm dois pescoços, mas se o principal não funciona, não funciona nenhum! E as drogas são cada vez mais as culpadas.
Mulheres, por favor, cuidem melhor dos homens, eles merecem e vocês merecem também! É uma questão de Humanidade, afinal, somos todos seres humanos!
Quando meninas vocês não brincavam de bonecas e acreditavam em varinhas de condão? Então, os homens têm os dois, boneca e varinha de condão de onde sai um jato de estrelinhas direto ao coração de quem souber ver! Não é bonitinho pensar assim? Homem é melhor que prozac, zooloft, viagra, finesterida, só para citar as drogas legalizadas, seja qual for a orientação que você escolher.
Portanto, homens, não se afobem, não, que nada é para já... Quando o cabelo começar a cair, cultivem uma boa barba, mas nunca, nunca mais recorram à franja grega, que é ridícula!
O quê? Pelos não estão mais na moda? O negócio agora são os homens-lolitos, tipo aquele americaninho chatinho e imberbe? Nossa, estou boquiabrida!
Depois de tudo o que foi comentado aqui, deu para entender o título desta postagem? Pois é, esse tempo está demorando a chegar...

(http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/898850-estudo-diz-que-droga-para-calvos-pode-causar-impotencia-prolongada.shtml)

Não tem choro nem vela: se quiser ver a notícia vai ter de copiar e colar! Sou do tempo que era dos carecas que elas gostavam mais... Carecas, não raspados, entendido?
Belê! Beijoquinhas!

Sagrado e Profano

Hoje Sexta-Feira da Paixão, é dia importante no calendário da cristandade católica. Na evangélica também, afinal, ambas são cristãs. Mas já que elas, igrejas católica e evangélica, têm de divergir nos detalhes, a primeira, mais espetacular, encena a Paixão de Cristo. A segunda, porém, por não se ater a usar imagens, leva o assunto para a imaginação dos fiéis e muda o foco do Deus morto, para o Deus vivo. Ai, ai... Elas, as igrejas, estão mais as voltas com as picuinhas do que com a questão da Fé. Pensando bem, as igrejas evangélicas andam levando vantagem, nesse quesito, porque, se enfatizam a imaginação, campo do abstrato, estão mais próximas de arrebanhar as ovelhas desgarradas, que hoje em dia não é apenas uma, e sim uma quantidade hiperbólica que tende ao infinito, sendo o último item da comparação uma grande hipérbole pleonástica e metalinguística!
Bem, mas do que eu quero tratar é do seguinte: o site UOL, hoje, destacou uma foto muito curiosa, muito inspirada e inspiradora em que se veem três moças deitadas sobre suas cangas, usando biquinis, na praia de Valência, Espanha. Isso é só o primeiro plano. Acontece que ao fundo, passa também pela praia, uma procissão, onde gente MUITO vestida, de forma bem austera, inclusive (muito preto, muito luto, como convém à ocasião), realiza um desfile sagrado (procissão) diante dos olhares profanos das moças...
A bem da verdade, o sagrado é que invadiu o território do profano...
Se você se lembra bem, leitor amigo do eterno 2º A, turma de 2002, do EEPAM, grande símbolo de todas as outras turmas, sagrado é o contrário de profano, que, por sua vez, significa "fora do templo". Sendo assim, se a procissão invadiu a praia, temos o sagrado invadindo a praia do profano. De fato não é para rir, é para refletir, porque hoje é um dia de re-fle-xão!
Entenderam, alunos, o grande clique do fotógrafo? Caso venham a ter dificuldades em entender o que está escrito, convém visualizar a foto. Vou "colar" o endereço da foto, mas provavelmente não vai ficar azulzinho que dê para clicar em cima e logo ir para a dita cuja... Tem, de novo, de copiar e colar numa nova janela, para então poder ver sobre o que gastei o meu latim! Tá bom? Boa sorte a todos!
Beijão!

http://noticias.uol.com.br/album/110422olho_album.jhtm?abrefoto=2#fotoNav=2

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Zica ou zica?

Essa história do significado das gírias é bem engraçada. Mudam-se ou tempos, mudam-se as vontades, gírias tornam-se obsoletas, outras permanecem, mas mudam o significado de vinho chapinha para vinho francês... É o caso da palavra-gíria "zica".
Antigamente, sem saber precisar quanto, zica significava azar...; hoje, de acordo com o uso que fazem dela meus alunos, significa sorte...
E agora? Como se aplica esse termo ao caso do Adriano, atual jogador do Corinthians? Cara que zica (primeira acepção)! No entanto, não é caso para desespero, a zica primeira pode-se transformar na zica segunda. Se o Adriano puder ser um pouco menos Adriano, também este possa ser um caso de superação.
Minha filha que é de Áries, já foi citada neste blog e é uma cética, acha que essa história de superação vai colar na história do Ronaldo e vai virar tudo uma patifaria só! Arroubos da juventude à parte, alinho-me com Nelson Rodrigues e Lupicínio Rodrigues (QUEM MESMO? diz o clamor da juventude!) para pedir calma aos jovens.
Vejam o seguinte: o Adriano, passando por esse grande, imenso, incomensurável de grande perrengue, caso tenha uma boa assessoria para questões de distúrbio dos afetos, vai voltar a jogar, sim! É o divisor de águas na vida dele, é o ponto de mutação, é a pausa que, se não refresca, age a favor da reflexão. Até aqui o Adriano só pensou com os hormônios, chegou a hora de usar os neurônios...
Não vai fazer atividade física, faça artesanato; não vai fazer atividade física, faça iôga; não vai fazer atividade física, leia livros; não vai fazer atividade física, faça terapia; não vai fazer atividade física, cuide do espírito que o corpo vai agradecer!
Fiquei pensando... já pensou se essa fatalidade tivesse acontecido no exterior e não aqui? Que infortúnio!, diria a Funéria. Sim, que lástima, que infortúnio. É que me lembrei da fala de uma outra Romana, essa bem brasileira, que disse assim em outras circunstâncias, mas que se encaixa bem aqui, com adaptações:

"Romana - Tu vai vê que é melhó passa fome no meio de amigo, do que passá fome no meio de estranho!..."

(Romana é personagem da peça teatral Eles não usam black-tie, autoria de Gianfrancesco Guarnieri (QUEM? QUEM? - Shuuut!). Romana é mãe de Tião e essa fala, especificamente, marca a sabedoria na despedida entre mãe e filho. Recuso-me, porém a falar mais sobre a peça, para que vocês possam ir atrás e ler. E, modestamente, fica como a primeira sugestão de leitura ao Adriano).

Readaptando a fala, poderíamos ter:

"Romana - Tu vai vê que é melhó a recuperação no meio de amigo, do que recuperação no meio de estranho!..."

Adriano: eu sei que hoje em dia você tem plena condição de usar black-tie...; no entanto, gente é gente, não mercadoria, embora tenha uma porção de gente que insista em dizer o contrário.

Aos leitores


Minha filha de Áries (dai-me paciência, Senhor!) perguntou-me quem lê o meu blog. Pergunta bastante importante, por isso mereceu uma pausa dramática... para que o meu cérebro recolhesse o golpe e pudesse processá-lo de modo a não opilar o meu fígado.
De bate pronto respondi enfaticamente: EU!
Sim, leitor amigo, eu sou a mais frequente, mais insistente e a mais saliente leitora de mim mesma! Porque escrevo e faço a revisão e tenho de corrigir a coesão, a coerência, o estilo, a gramática de acordo com a norma culta, a p(*) toda! Entre os movimentos de "visualizar" e "ocultar a visualização" vão praí um cento de vaivéns!
Sou ou não sou a minha maior leitora? Isso não significa que seja a melhor... Afinal, "pretensão e água benta, cada um toma a que quer" e entre a primeira e a segunda, a segunda me vale mais!
No entanto, como dizia D. Benta Encerrabodes de Oliveira, "elogio em boca própria é vitupério!". Tudo bem que hoje em dia chama-se "marketing pessoal" ao conteúdo da sábia frase da tradicional velhinha. Também chamam a isso atualizações.
Pois é... Algum outro leitor, além de mim, saberá o que é uma válvula? Se souber, ufa!, um possível interlocutor! Se não souber, posso explicar! Ou melhor, dê um google, veja lá e depois conversamos, de acordo?
Certo, aguardo contato!
Beijinhos!

Oxford ou Harvard?


Recentemente comprei um par de sapatos no estilo Oxford. São lindos, mimosos, do jeitinho que eu gosto: bico redondinho, amarração por cardaços encerados, saltinho, visto que sou uma pessoa verticalmente prejudicada, cor whiskie... Nem sabia que existia essa cor, justo eu que nem sou chegada a beber por excesso de pileques alheios, mas isso é assunto para outra postagem... Tem dois whiskies que eu gosto, só pra não dizer que não falei das flores: o da propaganda do Johnny Walker, com o Harvey Keitel (aquele pão! Ui!) e o filme uruguaio (pensando bem, os dois assuntos também merecem postagens...)
Pois bem, paguei cem paus pelo par... Uma pequena fortuna para o meu momento infortúnio financeiro... Mas sigam meu raciocínio: 100 paus por mais ou menos, vá lá, seis anos, acho que se paga... Claro está que vai algumas vezes ao sapateiro, mas lá se paga. Cuidando bem, que mal tem?, pensei ao abrir as burras de dinheiro abafando qualquer vestígio da consciência vir a chamar-me burra, por sua vez...
Então, continuando, não é que ao chegar em casa vieram os dois pés esquerdos? Diacho, pensei, que maçada!, então a mulher não sabia lá o que era esquerdo e direito? Ai, que saco, pensei novamente, lá vou eu a trocar os sapatos... Fui à loja, fiz a troca e, como por milagre, ou ironias do destino estavam na caixa, agora, os dois... pés direitos!!!
Pela mãe do guarda, quem pode com isso? Pensei comigo: essa vendedora não deve ser muito diplomada, a não saber distinguir o que é direita ou esquerda? Onde já se viu! - e então, já bufando, fui novamente até a loja para jogar-lhe culpas ao rosto!
Como fui em um horário diferente, não encontrei a mesma vendedora que me havia vendido os sapatos. Quem me atendeu foi a gerente, que, neurocientificamente, ouviu o meu caso e providenciou a troca COR-RE-TA-ME-NTE!
Muito bem, tudo está bem, quando acaba bem, já dizia o bardo! Então voltei pra casa feliz da vida com os meus sapatos novos!
Pois não é que dei bobeira e a Luna, uma filhotinha canil que é nossa dona, achou-os deliciosos? Sim, caro leitor, a Luna comeu meus sapatos novos! Pensei - depois de gritar uma interjeição, é claro - "me segura que eu vou dar um troço!"; em seguida, gritei a frase que pensei, além de uma tonelada de palavrões... Como já era noite, fui dormir com essa desilusão, ou sabedoria, de que a vida não é justa...
Dia seguinte, mais calma, fui olhar o estrago... No fim nem tinha estragado muito... Depois fiquei pensando: se eu fosse ainda trabalhar com eles, sapatos, e os meus aluninhos viessem perguntar o que tinha acontecido, eu sempre podia pedir a eles que adivinhassem o que havia acontecido através de uma historinha!
Ah, o doce mistério da vida! Segundo alguns, as crianças precisam ser enganadas para serem felizes! E se isso render uma boa história, até os adultos entram na ciranda da felicidade!
Mas de tudo, de tudo mesmo, pode-se tirar uma lição: da próxima vez, ao invés de Oxford, compro uns sapatos Harvard e os deixo bem longe da Luna! Pelo sim e pelo não, é bom que a Luna não lhe encoste o pelo!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Carta aberta aos gatos


Hoje, no programa Globo Esporte São Paulo, foi apresentada uma carta aberta às pessoas que postam vídeos na página de esportes do site Globo.com.
A vídeo-carta tinha como proposta essencial trabalhar a ideia de etiqueta digital(?) no momento de postar os vídeos... Pois bem, ao assistir a vídeo-carta, pude reparar em algumas coisas, vou citar duas:
1) havia muitos vídeos de sãopaulinos;
2) houve uma certa ênfase no vídeo em que um sãopaulino exibia sua gatinha e encerrava sua vídeopostagem beijando a pequenina felina amorosamente.
"Dito: meio se escuta, dobro se entende" (*). Costuma-se dizer que os torcedores do São Paulo Futebol Clube são afeminados (**), mas eu posso afirmar que o vídeo postado pelo torcedor contradiz esse senso comum!
Para corroborar o meu ponto de vista, indico a leitura do livro O GATO - um conto da redenção feminina, de Marie-Louise von Franz, edições Paulus. Eu indicaria procurar a obra no site www.estantevirtual.com.br, mas nem se deem ao trabalho, porque lá não tem exemplar disponível. Há outros títulos da autora, mas esse, não.
No entanto "quem não tem cão, caça com gato" - hoje é o dia dos ditos e o dia dos gatos - pode ver outros títulos da autora, igualmente importantes.
O título desta postagem é um referência direta ao que foi apresentado hoje pelo jornalista e apresentador Thiago Leifert, mas poderia ser também "Os livros nos leem II"... Mas não vou queimar esse título, vou deixar só como intenção.
Em tempo, tenho três gatas: Mir, Reina e Gris e de acordo com o ímã de geladeira comprado no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), rua Álvares Penteado, 112 - Centro: "Não há necessidade de esculturas numa casa onde vive um gato.", frase atribuída a Wesley Bates, pessoa sobre quem não sei nada, mas isso não é algo difícil de procurar, googlemente falando, se é que vocês me entendem...

(*) Ditado retirado do conto "Esses Lopes", in Tutameia, de João Guimarães Rosa.
(**)Isso é bulliyng!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Tasso da Silveira, Poeta

Quem foi Tasso da Silveira? Desde ontem, este nome ganhou notoriedade globalizada e até ontem ele era apenas o nome de uma escola municipal no bairro de Realengo, no Rio de Janeiro, bairro já imortalizado na canção de Jorge Benjor.
Pois bem, Tasso de Oliveira era poeta. Po-e-ta... PO-E-TA! Dá para imaginar maior ironia? Como pôde acontecer algo tão terrível numa escola cujo patrono é um Poeta? Será a famosa "ironia do destino"?
Hoje cedinho, vim à internet e procurei sobre o nome do patrono... No site indicado abaixo, havia uma pequena biografia que, em linhas gerais, dizia que ele era um poeta que não se alinhava muito com os modernistas, pois, na verdade, havia permanecido fiel à estética simbolista, blá, blá, blá até que, algumas linhas a frente, aparece o nome de Cecília Meireles.
(Amigo de Cecília Meireles? Bom! "Dize-me com quem andas e eu te direi quem és"... Caraca, maluco, ele era amigo de Cecília Meireles!)
Reproduzo aqui, pequeno trecho retirado da biografia do autor:

"Tasso da Silveira foi um defensor dos valores culturais, do pensamento provinciano, valores que segundo ele provêm das forças telúricas e da energia mental renovadora. Segundo as palavras do poeta, “a cidade cosmopolita consagra, é um foco de expansão, mas o que vem do cerne provinciano é que traz o rumor da beleza e é origem da emoção enaltecedora do ser humano.”
Seu estilo é marcado pela simplicidade. Tasso lutou contra o ceticismo e o materialismo e buscou atingir com sua poesia uma pureza essencial."

(http://singrandohorizontes.wordpress.com/2009/09/05/tasso-da-silveira-1895-1968/)

Pelo que diz o texto, o que menos o Poeta exaltava era a grandiosidade da máquina do mundo (ver Carlos Drummond de Andrade), preferindo o espírito do rio da aldeia ao espírito do Tejo (ver Fernando Pessoa).
Nada mais absolutamente irônico, então, do que a tragédia que catapultou o Brasil direto para a lista dos países de primeiro mundo (nem sei se ainda se fala assim, hoje em dia...) ocorrida na U. E.(*) em que o nome do Poeta figura como patrono...

Perdão, Poeta, se tudo aconteceu na Escola Municipal Tasso da Silveira...
Nós, brasileiros de boa vontade, também vamos lutar contra o ceticismo e procuraremos resguardar o essencial em detrimento ao supérfluo. Só por hoje! E amanhã, e depois, e depois, e depois...

(*) U. E. = unidade escolar.

Noite dos Mascarados

Quem assistiu ao filme "Força Aérea Um", com Harrison Ford (no papel de presidente dos EUA), deve se lembrar da cena em que a filha do presidente está assistindo ao futebol e diz para o pai que houve uma falta no jogo; ele retruca, dizendo: "não se o juiz não vir!". Diante da resposta do pai, só resta a menina ficar arengando sobre ética e coisas que tais...
Por que me lembrei desta cena? Por causa do jogo entre Santos e Colo-Colo e o episódio da expulsão de Neymar. De acordo com a regra, a comemoração usando máscara é proibida e assim o craque foi expulso. Até aí, dois mais dois [ainda] são quatro.
No entanto, as declarações do atual treinador é que são engraçadas: por ele, o juiz deveria ter olhado para o outro lado...
Olhando bem, até que o Harrison Ford, que empresta o corpo para o personagem do filme "Força Aérea Um", e o Muricy Ramalho se parecem, não é? Que elogio, hein? Mas, olhando um pouco mais de perto, igual, igual mesmo, só a "mensagem" sobre as faltas...
As duas trazem a "mensagem" do "little brazilian way", ou, "jeitinho brasileiro"...
Ai, ai, que saudade do tempo em que jogador mascarado era apenas metáfora...
E eu que achava que entre Muricy e Neymar haveria uma guerra de egos... Houve, sim, uma soma de egos!
É nesse momento que eu me lembro da canção que diz "tudo certo, como dois e dois são cinco"...

quinta-feira, 31 de março de 2011

Bloco de Notas

Esta postagem serve apenas como "Bloco de Notas" relacionada a assuntos futuros. O texto que vou colar aqui foi um comentário escrito sobre a notícia publicada no jornal "El País" sobre a visita da presidente e do ex-presidente do Brasil a Portugal, recentemente (http://click.uol.com.br/?rf=home-jornais-foto1&u=http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2011/03/31/a-visita-de-lula-e-dilma-da-um-respiro-politico-a-portugal.jhtm).
Lá vai o comentário:

"Causa estranheza, em mim, esse patrulhamento em relação ao ex-presidente Lula. É bastante usual que ex-presidentes passem a viver "da glória" de ter ocupado o cargo mais importante de uma nação e recebam homenagens. Há algum problema nisso?
Também já foi dito em algum momento do passado recente que o ex-presidente Lula seria uma espécie de "consultor" dos assuntos de governo e a proximidade, obviamente, se dá via PT. Qual dúvida em relação aos dois - atual e ex presidentes - serem do mesmo partido político ainda paira por aí?
Agora, parece-me bastante razoável que Portugal se aproxime da ex-colônia... O que não consigo admitir é a ideia de Portugal bandear-se para o lado da Espanha... Outra vez? Valei-me, Dom Sebastião! Sim, foi por sua obstinação de se envolver na Guerra Santa que os reino de Portugal e Espanha se unificaram... Valha-me, Deus, valha, que será necessário uma outra Reconquista? Vieira já nos chamava a atenção para o "Eterno Retorno"... Mas Espanha outra vez, não!
Que venham cá os Patrícios, ó pá! Podíamos, aí sim, inverter os versos de Chico Buarque "ai esta terra ainda vai cumprir seu ideal, ainda vai tornar-se um pequenino Brasil"!"

sábado, 19 de março de 2011

Livros de viagem ou para viajar...

Há muitos anos atrás, mas não diante do pelotão de fuzilamento, comprei um livro (que veio a se revelar muito importante na minha prática docente) na banca de jornais/livraria da rodoviária de Sampa. O livro chama-se A Arte de Viver, da editora Sextante.
O livro traz os escritos de Epicteto, homem nascido "escravo por volta do ano 55 d.C. em Hierápolis, Frígia, no extremo oriental do Império Romano" (pág.11), sob a interpretação de Sharon Lebell.
Não conheço a pessoa que me trouxe Epicteto à luz, mas conheço o procedimento de ser a pessoa-veículo entre autores, pois assim já fazia Monteiro Lobato. Não sei, também, se Lobato foi pioneiro nessa prática, mas isso não tem a menor importância, nem desmerece a grandiosidade do que ele fez (não só nos recontos, mas na obra toda). Bom, introdução feita e devidos créditos a quem de direito, vamos ao que é de fato meu: a seleção de um pequeno texto que apresenta uma visão "olhosderetrosiana" de ver a vida (já naquela época!!!!). Boa leitura!

"O USO CORRETO DOS LIVROS

Não diga apenas que você leu muitos livros. Mostre que, através deles, você aprendeu a pensar melhor, a ser uma pessoa mais perspicaz e ponderada. Os livros são para a mente o que os pesos da ginástica são para o corpo.

Os livros são muito úteis, mas seria um grave erro supor que alguém progrediu apenas por conhecer o seu conteúdo." (pág. 136).

sexta-feira, 18 de março de 2011

Os livros nos leem

Já postei aqui um texto sobre o livro que trata da biografia de Carmem Miranda, escrito por Ruy Castro. Para quem gosta de Carmem e se deliciou com a leitura do livro, deve lembrar-se que durante a Segunda Guerra, os EUA promoveram a "Política da Boa Vizinhança" e Hollywood era um dos agentes dessa estratégia. Walt Disney criava o papagaio Zé Carioca e o Rio, ora, o Rio, era preciso descobrir o Brasil!
Pois bem, às vésperas da visita do presidente americano ao Brasil e ao lançamento do filme "RIO", do brasileiro Carlos Saldanha, cujo personagem principal é uma arara azul (salvo engano) que nasceu no Brasil, foi criada nos States e depois retorna com o olhar estrangeiro que redescobre os locais para, fechando o ciclo, mostrar o Rio para os estrangeiros (e para o resto do mundo, mas não espalha!) - ufa!, parece que estamos vivenciando um eterno retorno!
Estariam os EUA reeditando a versão 2011 e pós-moderna da PBV? Sobe a música, maestro, que aí tem! Perder o ponto por falta de nó? Hummm, difícil... E há quem durma no balanço do Obama de que ele não tem projeto... An, rã, vai esperando! Tem gato na tuba e não está com o rabo de fora. Tenho a leve impressão de que o Carnaval começou na quarta-feira de cinzas... Quem viver, verá!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Mafalda, de Quino

Soube hoje, através da postagem de uma amiga no Facebook, lugar da geografia virtual na qual eu me sinto uma estrangeira, mas isso é assunto para uma outra vez, que a personagem Mafalda completou 49 anos... como eu completarei também, no último dia do primeiro semestre!
Fiquei comovida! Não, fiquei muito comovida! Melhor, fiquei excepcionalmente comovida!
Eu costumava dizer aos meus alunos que havia nascido no ano em que os Beatles começaram, mas agora posso até iniciar uma parlenda: nasci no ano em que os Beatles começaram e no ano em que a Mafalda nasceu!
Caraca!
Vou fazer uma pesquisa sobre outros fatos interessantes acontecidos no ano de 1962...

Hoje, no Jornal Hoje

Hoje, 17 de março, uma das reportagens do Jornal Hoje, da Rede Globo, foi sobre como maquiar olheiras. O engraçado é tal reportagem ter ido parar à boca de uma jornalista cujas olheiras são emblemáticas! Sim, eu estou sendo cruel, afinal, não estou nem considerando que tipo de situação provocou as olheiras; não, felizmente, as olheiras andam desaparecidas do rosto da jornalista.
Teve uma ocasião, porém, que ela foi apresentar o Jornal Nacional com dois borrões, um em cada olho, que não houve maquiagem que disfarçasse!
Geeennnnnnte, precisava ver!

Desafio: procurem falar rapida e repetidamente a palavra ORELHA sem que ela vire OLHEIRA; quem conseguir, escreve pra cá contando a experiência. Não vale mentir, de acordo?

Aqui se faz, aqui se paga?

Os acontecimentos recentes ocorridos no Japão, afora todo o respeito, engenho e arte a serem levados em consideração pela gravidade do momento, pode ser visto de várias maneiras, inclusive pela ótica da IRONIA DO DESTINO.
Primeiro o terremoto, depois o tsunami, danificaram as contruções e causaram milhares de vítimas fatais no Japão. Quando se veem as imagens, parece que são os escombros de uma guerra mundial...
Na mesma direção, no oceano Pacífico, milhares de milhas marítimas de distância, na rota das ondulações sísmicas está o ...Havaí!
Agora a questão da usina nuclear que, com a contaminação radioativa, ameaça diretamenta a... Califórnia! É o final da Segunda Guerra Mundial ao contrário! É a outra volta do parafuso!
Em 1945, portanto há exatos 66 anos, os EUA jogavam duas bombas atômicas, uma em Hiroshima e outra em Nagasaki. Assim, debaixo de fogo, obtiveram a rendição do Japão. Com o plano Marshall de ajuda econômica e a diligência excepcional dos seres humanos que habitavam à época e os que cresceram e se multiplicaram depois, o Japão tornou-se uma das nações mais prósperas da globalização. Hoje a guerra não mais é fria, apesar do inverno, mas os ânimos estão quentes de preocupação sobre a ameaça nuclear.
Excesso de civilização e descaso com a natureza? Pois é, dá o que pensar...

terça-feira, 15 de março de 2011

Tsunami no Japão

Em tempos de profecias, até Lost serve como oráculo!
Recentemente pude assistir a algumas temporadas do seriado Lost... (*) O enredo inicial dá conta da queda de um avião numa ilha do oceano Pacífico (entre a Austrália e a Califórnia (?)). O avião partiu-se ao meio, caiu no mar, próximo à costa, e a história começa, então, com os sobreviventes voltando à consciência depois da queda. Pois bem, o olhar do telespectador recai sobre a escolha do diretor, roteiristas e produtores que é a de iniciar a ação pelo personagem Jack, um médico. É ele, que sofreu apenas uns arranhões, o escolhido pelo seu conhecimento técnico, treino em lidar com as próprias emoções e a dos outros e talento para a liderança, a responsabilidade por iniciar a narrativa dessa jornada do ponto de mutação.
Em teatro, segundo a base dos escritos de Stanislavski, a isso se dá o nome de acontecimento inicial (queda do avião) e acontecimento principal (despertar do personagem Jack).
Ao fim da primeira temporada, já é possível perceber que o seriado é uma fábula sobre o reaprender a viver numa situação sem as facilidades da tecnologia, ou vendo de outra maneira, como sobreviver da reciclagem, no caso de uma situação extrema de "final do mundo".
Como cientistas observando o comportamento de cobaias, vamos assistindo ao desenrolar da trama, que começa a ter a participação da memória dos personagens quando se dão conta de situações coincidentes, ou quando um deus ex-machina precisa fazer uma remissão na história do personagem para explicar por que ele se comporta de tal ou qual maneira. Assisti até parte da terceira temporada, daí vi que os meus personagens favoritos estavam morrendo, então me desenteressei.
Mas uma das passagens mais bonitas que eu guardei foi a de quando o Charlie dá o pote de vidro vazio para a Claire, que está grávida e com desejo de comer manteiga de amendoim. Ela diz "mas está vazio!", então ele mostra pra ela que o pote está cheio, basta você imaginar que está. Isto é magia, isto é fé.
A tragédia no Japão está sendo exaustivamente documentada por várias mídias, mas não é ficção, é real.
O Japão se reergueu dos escombros da Segunda Guerra Mundial com tenacidade de formiga e espírito de cigarra: é isso que é importante, que se tenha fé num mundo aceitável, porque cheio de espírito, sem ficar refém de tanta tecnologia... É preciso saber que quem sabe fazer a máquina é o ser humano, e não o ser humano pensar que a máquina pode fazer tudo por ele. Pensar, por exemplo, e todas as outras funções que a natureza dotou o cérebro do animal melhor adaptado do planeta. O que o ser humano não pode esquecer é que ele também é natureza no momento quando a quer dominar.
Os seres vivewm sobre uma fina camada terrestre sobre uma oceano de lava, no coração do planeta. Cuidar do planeta, é cuidar para que a essência não seja exposta a uma avalanche de detritos supérfluos, porque sem manutenção as panelas de pressão explodem!
Precisamos reaprender o óbvio: o ser humano é animal, não é máquina; a máquina é só uma metáfora para o animal. Como se diz nos quadrinhos de língua inglesa, "to be continued"...

(*) Eu ia escrever filme, mas aqui em casa tenho uma pendenga sobre isso, principalmente com minhas sobrinhas: eu digo filme elas me corrigem; pra mim tudo é filme, mas para elas é seriado. Deve mesmo haver diferenças até de suporte, película, vhs e quejandos, mas eu simplifico pra mim mesma dizendo, se passa na tv, é filme. Note bem, não é pobreza, é simplificação.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Vocês sabem o que é uma válvula?

Definitivamente, eu não me entendo com estas tais de redes sociais! Mal comecei a entender o Orkut, surgiram uma porção de novos territórios virtuais! Que geografia mais doida e que me põe idem! Até singrei alguns mares orkutianos, mas depois aportei e raramente volto lá. Depois o blog, ou melhor, este blog e agora o Facebook... Estou pasma! Minha bússola enlouqueceu, acho que estou no triângulo das bermudas do mar tenebroso! Queéqueéisso!
O Facebook, então, é uma pândega! Sabe o que parece? Que um nerd observou uma agenda de menina e criou a tal rede social! Quem gosta de detalhes são as moças, normalmente. Lacinhos, bolinhas, coraçõeszinhos, piriri, pororó.
Bem, os garotos estão meio estranhos ultimamente... Andam meio bizarros, com umas roupas e uns cabelos inadjetiváveis. Outra coisa, agora homens não tem mais pelos! Outro dia, numa das novelas da Globo (esqueci qual), a câmera mostrou um personagem saindo da piscina desde os pés, até a cabeça; salvo a região da sunga, que estava coberta, só havia pelos nas sombrancelhas (é sombrancelhas ou sombracelhas? Sempre tenho dúvidas, mas não vou consultar o dicionário, estou com preguiça, nem pela net, niet, niet!) e na cabeça. Gente, boquiabri!
Depois, assistindo a uma propaganda sem som, minha especialidade, propaganda de desodorante, diga-se de passagem, o garoto propaganda tinha as axilas lisas! Pisquei os olhos para confirmar e era isso mesmo! Ele passava o rol-on sem nenhuma obstrução! Que coisa do outro mundo, o rapaz parecia um ET, ou um robô...
Senti-me mal e comecei a olhar para mim mesma a cata de teias de aranha; em que ponto da história eu dormi e acordei num mundo diferente? Às vezes me sinto Rip Van Winckle(?), mas devo estar exagerando. Ou não? Alguém me belisque, por favor!

Doma selvagem ou doma gentil?

Muricy Ramalho vai para o Santos? Se isso for confirmado, o que acontecerá entre ele e Neymar? Já avaliaram o tamanho da encrenca? Se Neymar foi o pivô de uma crise entre ele e o treinador, (o Dorival Jr., lembra?) que no panteão do céu futebolístico, como diriam meus amigos, os parnasianos, e também os locutores de futebol que se arriscam no cinzel das palavras, era uma estrela menorrrrr, o que acontecerá com uma estrela de primeira GRANDEZA feito Muricy? Muitas perguntas, muitas perguntas para uma cabecinha oca...
No entanto, vale a pena lembrar que Muricy está no mesmo nível que uma grande figura do passado, o técnico Telê Santana, ambos, coincidentemente, técnicos campeões no São Paulo. Telê disse uma vez, em relação ao então bad 'bom de bola' boy Edmundo, dito, o animal, que se uma criança quebra um copo e não é repreendida, daqui a pouco está quebrando a cristaleira inteira! Não foi exatamente com essas palavras que ele disse, afinal, o meu modesto recurso é a memória, às vezes vaga lembrança, e não uma equipe para procurar em cepedoque o que ele disse de fato. Mas destas coisas ninguém lembra, né? Afinal, Telê está treinando no Cosmos, não o do outro santista, o Pelé, mas algo mais transcendental, cristaleiras estão em desuso e os egos, bem os egos é que são elas!
Já na aqui na Terra o grande jogo será entre Muricy e Neymar e esse eu quero ver! Quem vai domar quem? São duas estrelas de primeira grandeza. Diz a tradição que duro com duro não faz bom muro, imagine fogo contra fogo?! Vixi Maria, maquinista, onde é o freio desta coisa? Há muita grana também em jogo e se há uma coisa que se pode dizer do dinheiro é que ele pode realizar milagres alquímicos! Resta saber qual vai ser o preço dessa barganha.
Durante a reapresentação das melhores reportagens do Globo Rural, pude assistir a uma particularmente tocante sobre a doma gentil. Há um treinador de cavalos, cujo nome não me lembro, vou procurar, depois eu conto, que para domar cavalos selvagens, usa um processo baseado na gentileza do processo... Animais são símbolos e guardam, como seres vivos, semelhanças com os homens, por isso servem como totens.
Como será que o velho Muricy vai se sair com o ainda jovem Neymar? É tudo uma incógnita... A natureza opera milagres e o ser humano faz bons chocolates dependendo da qualidade do cacau.
Se está página fosse uma história em quadrinhos em inglês, haveria agora a inscrição "to be continued"; quem viver, verá!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

NERUDA SEMPRE

"Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece."

PABLO NERUDA

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Caça as Bruxas, o filme II

O filme Caça às Bruxas, parece O Nome da Rosa da segunda década do século XXI. Época medieval, momento de intolerãncia, ida a um mosteiro, acerto de contas numa biblioteca, a mensagem do poder da leitura (sabedoria da qual compartilho, quase como uma Joana D'Arc sem espada, mas com livros, livros, livros!)
Quando fui fazendo o entrelaçamento entre os dois filmes, fiquei me perguntando se o meu raciocínio não estaria contaminado pelas notícias que li durante a semana sobre a nova novela de Gilberto Braga (nova novela é ótimo! Atual novela...) Insensato Coração... Pois os críticos mostram e sapateiam em cima que o G.B. (quase escrevi G.H.)está requentanto a quentinha. Não sei dizer, não estou acompanhando à novela... Dizem principalmente que a novela atual (sacou, sacou?) lembra muito o sucesso (essa sim) Vale Tudo. É interessante que eu já havia pensado sobre isso, por causa do elenco; tudo bem tínhamos pensado eu e a torcida do Flamengo, mas tá valendo. O que eu gostaria de citar é a ausência de alguns atores, veradeiros pães, como Carlos Alberto Riccelli, que não sei por onde anda, deve estar ao lado da esplendorosa Bruna Lombardi, lá nos EUA, e João Bourbonnais (que atualmente pode ser visto no programa Tribunal da TV, da Band e nos espetáculos Cândida, de Bernard Shaw e Canção do Amor em Rosa, ambos no Teatro Augusta). Os dois, na ocasião de Vale Tudo, faziam o papel de escroques, amantes de Odete Roitman (gente, é assim que escreve?), Tudo bem, o tempo passa para todo o mundo, mas aposto que eles dão uns tiozinhos apetecíveis ainda.
Mas deixa estar! A novela ainda vai mostrar ao que veio, ainda vai ter o seu ponto de mutação. É líquido e certo, é o efeito Tostines: a novela ficará boa por que a audiência e os críticos mandam? ou o mandonismo da audiência e dos críticos tornará a novela boa? Quem viver, verá!

Caça às Bruxas, o filme

Não há melhor esconderijo do que em meio à multidão.
Ontem fui me tocaiar no shopping. Quer mais multidão que isso? Domingo, hora do almoço, onde está Wally? Difíííícil de achar... Então, eu, Wally, estava lá. Outra razão para escolher o shopping para o almoço é que no momento estou no papel de Abominável Mulher das Neves: só como branco! Isto, pois estou fazendo um clareamento dental e uma reestruturação mental, uma vez que tem de ter muita massa cinzenta para aguentar tanta brancura. Mas é tortura com data para acabar: amanhã é a última sessão e quarta feira já volto pra paleta, com o máximo de colorido que conseguir!
Meu objetivo principal, na verdade, era ir ao cinema. Assistir ao filme Caça às Bruxas.
Tinha visto o trailer, gostado do elenco e, claro, ficado intrigada com a história. Sugeria que o protagonista (vivido por Nicolas Cage) seria um homem que embora à serviço do patriarcalismo, não concordava com ele. Essa impressão foi confirmada, mas o buraco é mais embaixo, portanto vá ver o filme, caro leitor.
Mas do elenco o ator que eu mais gosto é Ron Perlman. Ele é ótimo! Já havia trabalhado em O Nome da Rosa (é aquele "tolinho" que tenta apagar as chamas da fogueira assoprando-as) e também é o personagem Hell Boy do filme idem. Em um dado momento, ele pergunta qual é o castigo aos desertores e ao saber que pode ser a forca ou a fogueira, diz presferir a primeira à segunda e eu logo pensei, também, já foi queimado em O Nome da Rosa, agora pode escolher a forca (aprendeu que não a apaga assoprando!) e como diabinho bom, só vivia inflamado. Chega de chamas, pensou ele!
Há também entre os personagens de masculinos aquele lance da amizade masculina, cheia de honra e companheirismo (ai, que inveeeeeeeeeeeja!). Mas, ao fim e ao cabo, sobram Adão e Eva e também é ela que vai relatar o perigo que o mundo correu ao livrar-se do mal, etc e tal. Afinal, foi a ela que o demônio escolheu para se instalar; e, sim, cabe bem ao feminino também contar sobre o perigo que correu, afinal, o alvo da sanha ensadecida da Igreja eram as mulheres (inveja masculina? Ôpa!)
Hoje parece que os caçados são os homens, haja vista o que acontece na Itália. Tudo bem, os homens por lá estavam meio folgados... Até sobrou para o jogador Adriano, o Imperador da Roma, he, he! Deu até vontade de reler o livro Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar. Então vão aí duas dicas: o filme Caça às Bruxas e o livro Memórias de Adriano.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Reedição

Olá!
Reedito aqui a primeira postagem de outro blog que criei. Mas como nesse negócio de informática a pecinha atrás do teclado tem algumas dificuldades, o tal "outro blog" ficou meio comprometido na divulgação. Por isso a reedição. Divirtam-se!

Kaos e Processo
Esta é a primeira postagem. Vai um pouco tosca, mas vai assim mesmo. Quero explicar um pouco a origem do nome. Recentemente assisti ao programa do café filosófico com o Lobão. É, ele mesmo, o Lobão, músico (e palpiteiro). Não, não, não é o dos contos de fadas, embora ele queira pagar de Lobo Mau. Mas eu também sou lobo, ou melhor lobo fêmea. Mais ainda: Loba-Guará. Pô, pois é, já que o EUA são o ícone do moço, o Brasil é o ícone da moça. Ah, mas não tem essa de patriotada. É porque o Brasil é o meu chão e aqui tem tanta diversidade, em mais de um aspecto, então porque eu vou querer babar ovo dos gringos? Entendam como quiserem, inclusive "yankees, venham para esta home" (não falo inglês, então vai um hibridismo sintático. Os puristas que me perdoem, mas Joel Santana é um de meus ídolos!).
Não que eu tenha restrições ao Lobão artista, ao contrário, gosto muito! Mas ao Lobão palpiteiro e sua falange de exus (Saravá, Povo da Rua!): vamos combinar, é uma esculhambação...
Mas voltando ao porquinho frio... O nome deste blog quem deu foi o Lobão. Sim! Ele sugere que em lugar de "Ordem e Progresso" da bandeira nacional, inscreva-se "Caos e Processo". Não é genial? Genial, cara, genial... E como os dizeres da bandeira têm de ser sintéticos, sloganmáticos, olhou/grudou, não é possível desenvolver os conceitos. Porque ao lado do caos e processo poderia vir também progresso sim, perfeição, não! Já pensou que dinamismo? Bom, muito bom! É como eu digo para os meus alunos: pra frente é que se anda, quando eles querem repetir de ano por "não terem aproveitado" seriamente dos estudos. Mas eles aproveitaram, sim. Ou quando eles se sabotam e eu ia resgatá-los na quadra, porque estavam matando aula... Uma vez, fiz a chamada e percebi que uma aluna que já tinha várias faltas, estava ausente. Foi logo depois do intervalo e ela deixou-se ficar pelo pátio. Havia a regra de que se atrasasse muito o retorno, o professor não permitiria a entrada. Fui buscá-la e ela me disse:"Você veio me buscar!", entre feliz e incrédula. Pois, é... Essa menina era bem bonita, mas gostava de praticar um negócio bem estranho que é o de se cortar toda... Também era da tribo dos góticos e vivia num luto eterno... Bizarra maneira de chamar a atenção para si: ao mesmo tempo que se camuflava na paisagem das tribos, deixava a mostra a singularidade de sua dor, de seu luto. Hoje eu me pergunto: quem não a via, quem não a enxergava? Naquela ocasião não me ocorreu perguntar e hoje não faço ideia da resposta. Kaos e Processo para todos nós!