terça-feira, 15 de março de 2011

Tsunami no Japão

Em tempos de profecias, até Lost serve como oráculo!
Recentemente pude assistir a algumas temporadas do seriado Lost... (*) O enredo inicial dá conta da queda de um avião numa ilha do oceano Pacífico (entre a Austrália e a Califórnia (?)). O avião partiu-se ao meio, caiu no mar, próximo à costa, e a história começa, então, com os sobreviventes voltando à consciência depois da queda. Pois bem, o olhar do telespectador recai sobre a escolha do diretor, roteiristas e produtores que é a de iniciar a ação pelo personagem Jack, um médico. É ele, que sofreu apenas uns arranhões, o escolhido pelo seu conhecimento técnico, treino em lidar com as próprias emoções e a dos outros e talento para a liderança, a responsabilidade por iniciar a narrativa dessa jornada do ponto de mutação.
Em teatro, segundo a base dos escritos de Stanislavski, a isso se dá o nome de acontecimento inicial (queda do avião) e acontecimento principal (despertar do personagem Jack).
Ao fim da primeira temporada, já é possível perceber que o seriado é uma fábula sobre o reaprender a viver numa situação sem as facilidades da tecnologia, ou vendo de outra maneira, como sobreviver da reciclagem, no caso de uma situação extrema de "final do mundo".
Como cientistas observando o comportamento de cobaias, vamos assistindo ao desenrolar da trama, que começa a ter a participação da memória dos personagens quando se dão conta de situações coincidentes, ou quando um deus ex-machina precisa fazer uma remissão na história do personagem para explicar por que ele se comporta de tal ou qual maneira. Assisti até parte da terceira temporada, daí vi que os meus personagens favoritos estavam morrendo, então me desenteressei.
Mas uma das passagens mais bonitas que eu guardei foi a de quando o Charlie dá o pote de vidro vazio para a Claire, que está grávida e com desejo de comer manteiga de amendoim. Ela diz "mas está vazio!", então ele mostra pra ela que o pote está cheio, basta você imaginar que está. Isto é magia, isto é fé.
A tragédia no Japão está sendo exaustivamente documentada por várias mídias, mas não é ficção, é real.
O Japão se reergueu dos escombros da Segunda Guerra Mundial com tenacidade de formiga e espírito de cigarra: é isso que é importante, que se tenha fé num mundo aceitável, porque cheio de espírito, sem ficar refém de tanta tecnologia... É preciso saber que quem sabe fazer a máquina é o ser humano, e não o ser humano pensar que a máquina pode fazer tudo por ele. Pensar, por exemplo, e todas as outras funções que a natureza dotou o cérebro do animal melhor adaptado do planeta. O que o ser humano não pode esquecer é que ele também é natureza no momento quando a quer dominar.
Os seres vivewm sobre uma fina camada terrestre sobre uma oceano de lava, no coração do planeta. Cuidar do planeta, é cuidar para que a essência não seja exposta a uma avalanche de detritos supérfluos, porque sem manutenção as panelas de pressão explodem!
Precisamos reaprender o óbvio: o ser humano é animal, não é máquina; a máquina é só uma metáfora para o animal. Como se diz nos quadrinhos de língua inglesa, "to be continued"...

(*) Eu ia escrever filme, mas aqui em casa tenho uma pendenga sobre isso, principalmente com minhas sobrinhas: eu digo filme elas me corrigem; pra mim tudo é filme, mas para elas é seriado. Deve mesmo haver diferenças até de suporte, película, vhs e quejandos, mas eu simplifico pra mim mesma dizendo, se passa na tv, é filme. Note bem, não é pobreza, é simplificação.

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