quarta-feira, 20 de abril de 2011

Oxford ou Harvard?


Recentemente comprei um par de sapatos no estilo Oxford. São lindos, mimosos, do jeitinho que eu gosto: bico redondinho, amarração por cardaços encerados, saltinho, visto que sou uma pessoa verticalmente prejudicada, cor whiskie... Nem sabia que existia essa cor, justo eu que nem sou chegada a beber por excesso de pileques alheios, mas isso é assunto para outra postagem... Tem dois whiskies que eu gosto, só pra não dizer que não falei das flores: o da propaganda do Johnny Walker, com o Harvey Keitel (aquele pão! Ui!) e o filme uruguaio (pensando bem, os dois assuntos também merecem postagens...)
Pois bem, paguei cem paus pelo par... Uma pequena fortuna para o meu momento infortúnio financeiro... Mas sigam meu raciocínio: 100 paus por mais ou menos, vá lá, seis anos, acho que se paga... Claro está que vai algumas vezes ao sapateiro, mas lá se paga. Cuidando bem, que mal tem?, pensei ao abrir as burras de dinheiro abafando qualquer vestígio da consciência vir a chamar-me burra, por sua vez...
Então, continuando, não é que ao chegar em casa vieram os dois pés esquerdos? Diacho, pensei, que maçada!, então a mulher não sabia lá o que era esquerdo e direito? Ai, que saco, pensei novamente, lá vou eu a trocar os sapatos... Fui à loja, fiz a troca e, como por milagre, ou ironias do destino estavam na caixa, agora, os dois... pés direitos!!!
Pela mãe do guarda, quem pode com isso? Pensei comigo: essa vendedora não deve ser muito diplomada, a não saber distinguir o que é direita ou esquerda? Onde já se viu! - e então, já bufando, fui novamente até a loja para jogar-lhe culpas ao rosto!
Como fui em um horário diferente, não encontrei a mesma vendedora que me havia vendido os sapatos. Quem me atendeu foi a gerente, que, neurocientificamente, ouviu o meu caso e providenciou a troca COR-RE-TA-ME-NTE!
Muito bem, tudo está bem, quando acaba bem, já dizia o bardo! Então voltei pra casa feliz da vida com os meus sapatos novos!
Pois não é que dei bobeira e a Luna, uma filhotinha canil que é nossa dona, achou-os deliciosos? Sim, caro leitor, a Luna comeu meus sapatos novos! Pensei - depois de gritar uma interjeição, é claro - "me segura que eu vou dar um troço!"; em seguida, gritei a frase que pensei, além de uma tonelada de palavrões... Como já era noite, fui dormir com essa desilusão, ou sabedoria, de que a vida não é justa...
Dia seguinte, mais calma, fui olhar o estrago... No fim nem tinha estragado muito... Depois fiquei pensando: se eu fosse ainda trabalhar com eles, sapatos, e os meus aluninhos viessem perguntar o que tinha acontecido, eu sempre podia pedir a eles que adivinhassem o que havia acontecido através de uma historinha!
Ah, o doce mistério da vida! Segundo alguns, as crianças precisam ser enganadas para serem felizes! E se isso render uma boa história, até os adultos entram na ciranda da felicidade!
Mas de tudo, de tudo mesmo, pode-se tirar uma lição: da próxima vez, ao invés de Oxford, compro uns sapatos Harvard e os deixo bem longe da Luna! Pelo sim e pelo não, é bom que a Luna não lhe encoste o pelo!

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