Essa história do significado das gírias é bem engraçada. Mudam-se ou tempos, mudam-se as vontades, gírias tornam-se obsoletas, outras permanecem, mas mudam o significado de vinho chapinha para vinho francês... É o caso da palavra-gíria "zica".
Antigamente, sem saber precisar quanto, zica significava azar...; hoje, de acordo com o uso que fazem dela meus alunos, significa sorte...
E agora? Como se aplica esse termo ao caso do Adriano, atual jogador do Corinthians? Cara que zica (primeira acepção)! No entanto, não é caso para desespero, a zica primeira pode-se transformar na zica segunda. Se o Adriano puder ser um pouco menos Adriano, também este possa ser um caso de superação.
Minha filha que é de Áries, já foi citada neste blog e é uma cética, acha que essa história de superação vai colar na história do Ronaldo e vai virar tudo uma patifaria só! Arroubos da juventude à parte, alinho-me com Nelson Rodrigues e Lupicínio Rodrigues (QUEM MESMO? diz o clamor da juventude!) para pedir calma aos jovens.
Vejam o seguinte: o Adriano, passando por esse grande, imenso, incomensurável de grande perrengue, caso tenha uma boa assessoria para questões de distúrbio dos afetos, vai voltar a jogar, sim! É o divisor de águas na vida dele, é o ponto de mutação, é a pausa que, se não refresca, age a favor da reflexão. Até aqui o Adriano só pensou com os hormônios, chegou a hora de usar os neurônios...
Não vai fazer atividade física, faça artesanato; não vai fazer atividade física, faça iôga; não vai fazer atividade física, leia livros; não vai fazer atividade física, faça terapia; não vai fazer atividade física, cuide do espírito que o corpo vai agradecer!
Fiquei pensando... já pensou se essa fatalidade tivesse acontecido no exterior e não aqui? Que infortúnio!, diria a Funéria. Sim, que lástima, que infortúnio. É que me lembrei da fala de uma outra Romana, essa bem brasileira, que disse assim em outras circunstâncias, mas que se encaixa bem aqui, com adaptações:
"Romana - Tu vai vê que é melhó passa fome no meio de amigo, do que passá fome no meio de estranho!..."
(Romana é personagem da peça teatral Eles não usam black-tie, autoria de Gianfrancesco Guarnieri (QUEM? QUEM? - Shuuut!). Romana é mãe de Tião e essa fala, especificamente, marca a sabedoria na despedida entre mãe e filho. Recuso-me, porém a falar mais sobre a peça, para que vocês possam ir atrás e ler. E, modestamente, fica como a primeira sugestão de leitura ao Adriano).
Readaptando a fala, poderíamos ter:
"Romana - Tu vai vê que é melhó a recuperação no meio de amigo, do que recuperação no meio de estranho!..."
Adriano: eu sei que hoje em dia você tem plena condição de usar black-tie...; no entanto, gente é gente, não mercadoria, embora tenha uma porção de gente que insista em dizer o contrário.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Zica ou zica?
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