sexta-feira, 8 de abril de 2011

Tasso da Silveira, Poeta

Quem foi Tasso da Silveira? Desde ontem, este nome ganhou notoriedade globalizada e até ontem ele era apenas o nome de uma escola municipal no bairro de Realengo, no Rio de Janeiro, bairro já imortalizado na canção de Jorge Benjor.
Pois bem, Tasso de Oliveira era poeta. Po-e-ta... PO-E-TA! Dá para imaginar maior ironia? Como pôde acontecer algo tão terrível numa escola cujo patrono é um Poeta? Será a famosa "ironia do destino"?
Hoje cedinho, vim à internet e procurei sobre o nome do patrono... No site indicado abaixo, havia uma pequena biografia que, em linhas gerais, dizia que ele era um poeta que não se alinhava muito com os modernistas, pois, na verdade, havia permanecido fiel à estética simbolista, blá, blá, blá até que, algumas linhas a frente, aparece o nome de Cecília Meireles.
(Amigo de Cecília Meireles? Bom! "Dize-me com quem andas e eu te direi quem és"... Caraca, maluco, ele era amigo de Cecília Meireles!)
Reproduzo aqui, pequeno trecho retirado da biografia do autor:

"Tasso da Silveira foi um defensor dos valores culturais, do pensamento provinciano, valores que segundo ele provêm das forças telúricas e da energia mental renovadora. Segundo as palavras do poeta, “a cidade cosmopolita consagra, é um foco de expansão, mas o que vem do cerne provinciano é que traz o rumor da beleza e é origem da emoção enaltecedora do ser humano.”
Seu estilo é marcado pela simplicidade. Tasso lutou contra o ceticismo e o materialismo e buscou atingir com sua poesia uma pureza essencial."

(http://singrandohorizontes.wordpress.com/2009/09/05/tasso-da-silveira-1895-1968/)

Pelo que diz o texto, o que menos o Poeta exaltava era a grandiosidade da máquina do mundo (ver Carlos Drummond de Andrade), preferindo o espírito do rio da aldeia ao espírito do Tejo (ver Fernando Pessoa).
Nada mais absolutamente irônico, então, do que a tragédia que catapultou o Brasil direto para a lista dos países de primeiro mundo (nem sei se ainda se fala assim, hoje em dia...) ocorrida na U. E.(*) em que o nome do Poeta figura como patrono...

Perdão, Poeta, se tudo aconteceu na Escola Municipal Tasso da Silveira...
Nós, brasileiros de boa vontade, também vamos lutar contra o ceticismo e procuraremos resguardar o essencial em detrimento ao supérfluo. Só por hoje! E amanhã, e depois, e depois, e depois...

(*) U. E. = unidade escolar.

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